João Marcos Adede y Castro

JOÃO MARCOS ADEDE Y CASTRO é graduado em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria, sendo Mestre em Integração Latino Americana, pela mesma Universidade.

 

É doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Universidade del Museo Social Argentino, e doutorando em Direito Civil pela Universidade de Buenos Aires, ambas de Buenos Aires.  

 

Foi Promotor de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul por quase 30  anos, tendo exercido as atribuições de Promotor de Justiça Especializada de Defesa Comunitária, com atuação preponderante nas áreas de defesa do meio ambiente, interesses sociais e coletivos e improbidade administrativa. É Professor Universitário.

 

 É membro e  foi Presidente da Academia Santa-Mariense de Letras, ocupando a cadeira número 16, cujo patrono é o escritor e jurista  Darcy Azambuja. É advogado em Santa Maria, RS.

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MEU ZELOSO GUARDADOR

13.12.2017

CAPÍTULO VI

 

Na rua, a notícia de que a ex-esposa do réu havia ingressado na sala onde ele estava correu, determinando que muitos repórteres que haviam se recolhido às redaçōes  de jornais e emissoras de televisão receberam a informação e voltaram correndo. Parece que agora o circo estava completo.

O barulho na via pública acordara os vizinhos que estavam impedidos de ingressar em suas garagens pelas dezenas de veículos mal estacionados. Alguns sentaram nas sacadas, munidos de xícaras de  café, os mais velhos com xícaras de chá e algumas bolachas. A noite prometia ser longa.

Sempre que alguma coisa acontece na rua, é inevitável que surjam os vendedores de bugigangas. Uma pena que o tempo estava firme, senão os vendedores podiam fazer boa féria vendendo guarda-chuvas. Mas, quem aguenta tanto tempo de espera sem um lanche? Alugo cadeiras de praia, só cinco reais a hora.

De um lado, olhando para o outro grupo que defendia o pai, um grupo de senhoras, a maioria de classe alta ou média, roupas boas, algumas jóias nem tão caras, cabelos arrumados, achava que mãe tinha razão. Mesmo sem nenhuma informação confiável, muitas apostavam que alguma coisa o pai tinha feito para perder a guarda.

- Se o juiz tirou a guarda dele, razão tinha.

- Qual, qual? - perguntava exaltada um homem alto, forte, braços cruzados no peito, olhar desafiador.

Um terceiro, do grupo que apoiava o pai, respondeu, quase aos gritos:

- Os juízes sempre dão a guarda à mãe, mesmo que ela seja uma vagabunda?

- Mas ela é uma vagabunda?

- Não faz injustiça com a mãe, ela é uma boa pessoa.

Gargalhadas dos defensores do pai.

- Se ela é uma boa pessoa eu não sei, mas que é uma baita de uma gostosa, isto dá prá ver.

Comentários menos respeitosas ainda surgiram, "viu os peitōes dela?", "e o rabo? Esta eu pegava e..."

Não faltou quem comentasse que se ela tinha peitōes "só pode ser silicone, e quem pagou foi  o corno do marido". "Corno? Mas, ela dava pra quem? "

- Água mineral! Café, bolachinhas, vai aí freguêes....

Ninguém falou da criança, que deveria ser o centro de toda discussão. Afinal, não era sobre sua vida e interesse que se estava peleando em juízo. O que era mais importante? O interesse da "vagabunda" da mãe ou o "coitadinho" do pai era mais relevante que o de Luiza?

Como e onde estava Luiza, uma vez que o pai estava preso, por escolha sua, na sala de audiência, e a mãe fora ali chamada para ajudar a convencê-lo a desistir do movimento?

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© 2017 por João Marcos Adede y Castro

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